Transporte marítimo: para não morrer na praia


Acordo com artigo da Lloyd’s Load List, os resultados financeiros anunciados para os principais armadores mundiais no primeiro semestre de 2014, mostram que aqueles armadores que melhor controlam seus custos unitários estão revertendo os prejuízos do ano anterior. Essa redução do custo para transportar cada contêiner, está fortemente amparada no emprego de navios gigantes, os chamados Ultra Large Container Vessels.

As tarifas médias de fretes por contêiner movimentado continuam em declínio. Cada armador tem maior ou menor habilidade de limitar sua reação aos movimentos de mercado. Armadores conhecidos da Costa Leste da América do Sul que de acordo com a Drewry,  tiverem reduções importantes de fretes foram a CSAV,  Zim,  Hyundai e Hapag Lloyd. Todos esses apresentaram  prejuízos no primeiro semestre de 2014. Maersk.vessel

Enquanto para alguns o primeiro semestre de 2014 representou a reversão do prejuízo,  a Maersk Line estabeleceu um maior distanciamento da margem de lucro em relação ao segundo colocado, a CMA-CGM. Obteve este feito aumentando seu volume transportado  em 600 mil teus (7%) a um frete médio menor em 2,2% porém diminuindo o custo total em 0,2%. A margem EBIT da Maerk Line foi de 8,0%, enquanto para a CMA-CGM ficou em 4,8%. A CMA-CGM conseguiu reduzir seus custos unitários no mesmo patamar da queda do valor de frete unitário.

Poderia  se dizer que margens ínfimas! O resultado estimado, de acordo com a Drewry, significa ganho de US$ 115 por teu para Maersk, enquanto que para a CMA-CGM resultaria em US$ 66 por teu.

O que isso significa para o tráfego do transporte conteinerizado no Brasil?

Entre outras coisas, que o controle de custos é imperativo. O item chave é o consumo de bunker  ou combustível para reduzir o gasto para transportar cada unidade.  Significa que em cada rota, não haverá muito espaço para grandes diferenças de tamanhos de navios. Se por exemplo o tamanho de navio usado em determinada rota é de 8.000-10.000 teus, ficará muito difícil competir com navios de 5.000 teus.

Navios maiores indicam continuidade ou aumento de acordos entre diversos armadores no mesmo navio e serviço. Por sua vez exige infraestrutura portuária adequada e esses navios e volumes maiores.

E o que mais?  Transfere problemas de mobilidade no acesso terrestre a esses terminais, que cada vez mais receberão um grande volume de contêineres, leia-se também caminhões, em um curto espaço de tempo.

Os processos burocratizados para a liberação da importação e de exportação continuarão atrapalhando a capacidade dos portos brasileiros e consequentemente o comércio exterior do país.


Categorias: Custos, Marítimo de Longo Curso

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