Transporte marítimo: caros, ineficientes e com 15% de crescimento ao ano


A pesquisa CNT do Transporte Marítimo 2012 traz um importante e vasto detalhamento de informações sobre o transporte marítimo no Brasil. Ela foi elaborada sob a visão das agências de navegação do país, empresas que vivem o dia a dia do modal.

Faz-se aqui uma avaliação da atividade para o segmento de cargas conteinerizadas nos tráfegos internacionais e de cabotagem.

Em 2011, o crescimento do PIB brasileiro em 2,7%, e  crescimento global de 3,9%, tivemos uma alta da tonelagem de carga conteinerizada embarcada da ordem de 9% e descarregada de 16%. Em teus, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, o crescimento médio foi de 15% tanto para exportações quanto para importações. Em teus, o total de exportações pelos portos brasileiros foi de 3,2 milhões e importações de 3,4 milhões, portanto próximo ao equilíbrio. A cabotagem, representa um número adicional ao redor de 300 a 400 mil teus anuais.

Dos mercados mais significativos em volumes, na exportação houve crescimento de 27% para a Ásia, 8% para o Norte da Europa, e 23% para o Caribe e Golfo do México e 7% para os Estados Unidos e Canadá. Na importação, entre os mercados mais expressivos o maior crescimento foi da Ásia com 39%, Norte da Europa com 11% e Estados Unidos e Canadá com 9%.

Se somados os números movimentados em todos os portos brasileiros em 2011 teremos um comércio em contêineres no Brasil de 7 milhões de teus por ano.  De acordo com a pesquisa CNT do Transporte Marítimo 2012, os portos brasileiros cobraram, em média US$ 200 por unidade movimentada. Rotterdã na Holanda movimentou 11,88 milhões de teus/ano e Hamburgo na Alemanha 9 milhões de teus/ano em 2011. Nestes dois  portos o custo médio para movimentar um contêiner  foi de US$  110 por unidade. Já no sudoeste da Ásia, o porto de Tanjung Pelepas na Malásia, movimentou 7,5 milhões de teus, ou seja, meio milhão a mais que todos os portos brasileiros somados e cobrou, em média US$ 75,00 por contêiner movimentado.

É bom lembrar que o custo médio por contêiner movimentado, não inclui custos com rebocador, praticagem, demoras para descarga ou carregamento ou outros custos decorrentes do processo moroso para exportar e importar no Brasil. Refere-se a remuneração da operação portuária, a sua estrutura de equipamentos, gestão, mão-de-obra, entre outros.

Ganhos de escala à parte, a diferença de custos de movimentação do Brasil para os portos europeus ou asiáticos dá a medida de quão caros são os portos brasileiros. Somente a partir de 2011 na região Sul e 2013 na região Sudeste, o Brasil sai da operação portuária quase monopolista o que tende a ser um incentivo para melhorias de serviço e redução de custos.

Provavelmente a movimentação portuária brasileira não teria crescido mais do que os 15% em 2011, mas imagine acessos portuários adequados, operação 24 horas dos órgãos intervenientes e tarifas asiáticas pelo menos na cabotagem… Não é garantia de maior competitividade para os produtos brasileiros, mas uma elevação da barreira a ser transposta, com o referencial de indicadores internacionais.


Categorias: Cabotagem, Custos, Marítimo de Longo Curso

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