Santos pode dizer não aos navios maiores?


Os modernos terminais portuários brasileiros de contêineres têm investido na sua infraestrutura para atender aos maiores navios passíveis de ser operados na costa brasileira. Esta é uma decisão de longo prazo uma vez que o dimensionamento do cais e guindastes são escolhas de longo prazo.PortosSantosmai14

Os operadores portuários de contêineres no Brasil, se não fazem parte de grupos mundiais, seguem a lógica do que já aconteceu em outros países.

O Brasil recebe navios de mais de 11.000 teus atualmente em alguns de seus melhores terminais e o tamanho do navio não parará por aí. Um dos fatores é o chamado efeito cascata: os maiores navios disponíveis entram na rota da Ásia para a Europa, deslocando navios menores para os demais tráfegos do globo como as rotas para os Estados Unidos e também para a Costa Leste da América do Sul, onde o Brasil é o principal mercado.

São Paulo é o maior mercado e Santos o maior porto brasileiro o que poderia gerar um posicionamento de “sem Santos não acontece”.

O novo Canal do Panamá a ser inaugurado em meados de 2016 acomodará navios de mais de 12.000 teus, ou seja, três vezes maiores do que hoje. Outro fato relevante é de que a construção de navios porta-contêineres está dedicada na sua grande parte a navios acima de 10.000teus que tem ao redor de  335 metros de comprimento ou mais, já faz alguns anos.

Então se não haverá construção em navios “menores”,  pois já não são competitivos e o que limitava partes do tráfego mundial era a capacidade de passagem pelo canal do Panamá, que motivos convincentes teria o porto de Santos, ou o Brasil, para não estar competitivo com o restante do mundo para que seus produtos alcancem os mercados internacionais?

Ao invés de fechar a porta para a competitividade, o Brasil pode adotar a oportunidade de se preparar para o inevitável.

Para receber navios cada vez maiores, a burocracia portuária há que ser reduzida. Os acessos portuários pela água, com maior calado e, por terra com melhores rodovias e uso de ferrovias, serão essenciais.

Acessos portuários são menos onerosos e mais rápidos para construir do que pavimentar milhares de quilômetros de estradas de norte a sul. Portos mais equipados e preparados dão a oportunidade de mudar mais rapidamente a matriz de transportes brasileira. Mais transporte pelo modal aquaviário ajudará a reduzir as mortes nas estradas e  as emissões de poluentes além de diminuir o custo com transportes.

Sempre se podem tomar decisões olhando o próprio umbigo. O Brasil, no entanto, faz parte do contexto global e sua competitividade está entrelaçada com a dos seus concorrentes mundiais.


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