O porte do navio e a infraestrutura necessária


Para que navio tipo a infraestrutura portuária catarinense deve estar preparada?

Esta foi a pergunta central do debate na Câmara de Transporte e Logística da FIESC em Florianópolis na última semana de maio.img_7583_0

Contando com a presença de representantes de portos, terminais, armadores e especialistas no tema, entre apresentações e debates, chegou-se a um consenso de que esse navio tipo tem a especificação de 366 metros de comprimento por 52 metros de boca (largura) o que pode representar navios entre 12.000 teus e 14.000 teus já disponíveis no mercado mundial.

Esse porte de navio é o navio que já está chegando à costa brasileira e, portanto os desafios de atendê-lo são do Brasil e Santa Catarina quer se manter competitiva no cenário regional e nacional.

Entre os desafios para atender a este porte de navio nos portos nacionais estão os acessos por mar e terra. No mar, espera-se que as tarifas arrecadadas pelos portos com a Tabela Um, sejam investidos na manutenção e melhoria dos acessos marítimos como dragagem, sinalização, etc.

Por terra, há necessidade de investir na ampliação dos acessos rodoviários e não esquecer os projetos de ferrovias como a Litorânea, que liga o Sul de Santa Catarina à malha nacional, interligando os portos desde Imbituba até Itapoá, bem como a ferrovia Oeste-Leste que liga a região produtora de carnes no oeste catarinense à ferrovia litorânea e aos portos.

Não basta, porém, a melhoria dos acessos marítimos e terrestres. Há que ser trabalhada a recepção e liberação das cargas, dentro dos terminais portuários e em áreas alfandegadas secundárias.  Há ainda, um importante desafio no que refere à capacidade dos órgãos intervenientes como Anvisa, Mapa, Receita Federal, etc. de atenderem de forma célere, os trâmites para liberação das exportações e importações que passam pelos portos. Isso considerando que a participação do Brasil no comércio internacional de cargas conteinerizadas está ao redor de 2%. Claramente, em algum ponto, o processo de liberação precisará passar por uma reformulação, pois como continuar com a lentidão e burocracia hoje enfrentadas, que deixam os produtos brasileiros e o país como um todo, na lanterna da competitividade?

Em palestra proferida na Univale no final de 2013, foi abordado “O cenário macro da logística de comércio exterior em SC” e a abordagem ainda é válida: nenhum terminal catarinense dará conta da necessidade logística deste Estado. É necessário nivelar, por cima, a melhor condição operacional tendo em visto o navio tipo que está por chegar. A necessidade de distribuição de volumes, seja em portos catarinenses ou brasileiros é absolutamente necessária, devido as grandes limitações de acessos terrestres.

Não faltarão desafios. A considerar a disposição dos participantes, as mangas estão arregaçadas para um trabalho conjunto.


Categorias: Marítimo de Longo Curso, Terminais Portuários

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