O cenário para 2016 na navegação


A indústria da navegação mundial em contêineres vem passando por novas consolidações. Ao final de 2014 a fusão das atividades em contêineres entre Hapag Lloyd e CSAV foi concluída, tornando a empresa resultante, a Hapag Lloyd, na ocasião a quarta maior companhia de navegação. O nome CSAV deixou de existir como operador de transporte em contêineres e passou a ser o maior acionista individual da Hapag Lloyd. TopFiveCarriers_08jan16

Ao final de 2015, a armadora francesa CMA-CGM confirmou a aquisição da APL (ou NOL, Neptune Orient Lines). Esta aquisição, no entanto ainda está sujeita à aprovação das autoridades concorrenciais esperado para o meio de 2016. A empresa resultante terá a terceira frota mundial e a segunda posição em volume transportado de acordo com a Drewry em 11,5% de participação no transporte mundial de cargas conteinerizadas.

A terceira grande mudança foi a aprovação, em 2015 pela autoridade Chinesa, da fusão das gigantes Cosco e China Shipping.

Com essas mudanças, o ranking global mudou. Os cinco maiores armadores agora são: Maersk, MSC, CMACGM/APL, Cosco/CSCL e Evergreen. A Hapag Lloyd está na sexta posição.

O que se espera com essas fusões e aquisições?

De acordo com a Drewry, num médio prazo, um maior número de navios nas mãos de poucos armadores. Claro que haverá sinergias, reestruturações de rotas, economias de escala, no mundo e no Brasil onde a APL, no entanto, já não tinha operação. Para 2016 o setor prevê excesso de oferta, mercado com fraco desempenho, em especial da Ásia para a Europa e, portanto fretes com pressão de baixa, o que torna muito difícil para que esses transportadores sejam rentáveis. A expectativa, ainda segundo a Drewry, é de que em 2016 perdas de US$ 5 bilhões sejam contabilizadas globalmente. Não são maiores, porque o preço do bunker está no nível mais baixo em onze anos.

No Brasil temos o desafio da economia em recessão pelo segundo ano consecutivo somado a uma crise política o que pode levar ainda mais tempo para a retomada econômica. Em 2015 houve queda do volume de importações e fraco crescimento da exportação em contêineres. O real desvalorizado ainda não produziu os efeitos esperados no crescimento das exportações de manufaturados, setor que tende a se beneficiar em 2016.

Espera-se um ano desafiador para o armador, fretes com pressão de baixa na importação e, oportunidade de recuperação na exportação. É bom lembrar que o desequilíbrio entre volumes de importação e exportação será maior, portanto aumenta o risco de não haver o contêiner certo no lugar e hora necessários para a exportação.

Provavelmente o mercado verá novos arranjos de acordos de cooperação entre armadores, concentrando maiores volumes em menos terminais, o que aumenta os desafios nos acessos marítimos e terrestres ao longo da costa.


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