O cenário macro da logística de comércio exterior em Santa Catarina


Tema apresentado em palestra para a graduação de Comércio Exterior da Univali, de Itajaí (SC), em outubro, contou com a participação de cerca de 500 expectadores entre alunos e docentes, incluindo ainda alunos dos cursos de Logística e Operações Portuárias.

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A partir da visão da navegação mundial de cargas conteinerizadas, buscou-se mostrar os desafios que os navios gigantes, cujo recorde atual é de 18.000 teus, trazem para as suas operações em terminais mundo afora e o seu impacto no Brasil e na região Sul em particular.

Embora os maiores navios mantenham sua operação no tráfego da Ásia e Europa e entre Ásia e Estados Unidos, o Brasil está inserido neste contexto global e já sente o chamado efeito cascata, que é o deslocamento de navios “menores” para regiões que, mesmo com limitações, possam recebê-los. É o que já pode ser notado no tráfego da Ásia para o Brasil ou Costa Leste da América do Sul.

Se já há congestionamentos no acesso aos portos brasileiros, os navios cada vez maiores, intensificam este gargalo, pois realizam operações de uma quantidade de contêineres maiores de importação e exportação num espaço de tempo mais reduzido.

A chegada do navio grande é um caminho sem volta. Isso fica evidente, quando se compara os ganhos de escala, em especial do custo unitário reduzido por contêiner transportado. Uma consequência do uso de navios maiores são os chamados “casamentos por conveniência”, ou seja, acordos operacionais entre vários armadores, que comercializam uma parcela do espaço no navio.

O emprego de navios maiores, não significa necessariamente redução no valor do frete. Pois este é totalmente elástico e depende da relação de oferta e demanda entre espaço disponível e carga a ser transportada.  As previsões, de qualquer maneira, são de tempos difíceis para a armação em escala global, devido ao excesso de oferta de espaço até pelo menos 2015.

No Brasil, o grande desafio é a adequação de terminais portuários com equipamentos em quantidade e especificação necessária, áreas maiores de estocagem, os acessos por terra e mar, seus calados e bacias de manobra para receber as novas gerações de navios.  Há restrições para todos os lados. Há terminais com condições de adequação e outros em que certo reposicionamento silencioso já está em curso.

Não fosse suficiente, há indicações claras de que os tempos de permanência dos contêineres, com carga de importação e de exportação estão aumentando e, assim, diminuem a capacidade esperada de movimentação dos terminais. O que nos leva a inferir que qualquer efeito positivo do porto 24 horas, se existe, foi compensado por outra deficiência.


Categorias: Marítimo de Longo Curso, Terminais Portuários

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