Novos tempos na concorrência entre terminais de contêineres


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Acervo BTP

O maior mercado consumidor brasileiro, São Paulo, assistiu em 2013 à entrada de dois novos terminais em Santos: a BTP e Embraport. Até aquele momento a Santos Brasil mantinha participação de mercado de 58%, que devem ser atribuídos à sua competência e investimentos ao longo do tempo. Pode-se dizer também que se preparou para o novo cenário. A situação de concorrência em Santos mudou muito, derrubando a margem EBITDA do terminal líder de 47% para 21% em pouco mais de dois anos.

São concorrentes de peso, que não só construíram terminais modernos com o investimento de gigantes da indústria. A BTP levou consigo grande parte das operações dos armadores número um e dois do mundo: a Maersk e MSC, pois seus acionistas são empresas coligadas. O impacto foi tão importante, que em dado momento esse terminal superou a média mensal do líder.

A Embraport tem um desafio maior. Não levou nenhum armador a reboque e se valeu de um leque de diferenciais para conquistar a carteira de clientes atuais. Estar no maior mercado consumidor, no maior porto brasileiro, certamente gera alguns benefícios para essa tarefa árdua.

Embora diferente, a região sul também tem passado por mudanças importantes na situação de concorrência entre terminais ao longo dos últimos anos. Primeiro com a entrada da Portonave em 2007 e Porto Itapoá em 2011. Podemos citar a licitação do Tecon Imbituba em 2008 que, no entanto, ainda tem impacto limitado na atração de cargas movimentadas pelo terminal de Rio Grande e os vizinhos de Santa Catarina.

O desafio dos terminais do rio Itajaí Açú está em se manter competitivos com o aumento do tamanho dos navios. Sua condição atual e, para talvez mais dois anos, está em receber navios de até 300 metros de comprimento enquanto a região já recebe navios de 334 metros e logo mais receberá os de 366 metros. O Complexo de Itajaí apresentou queda de volumes em 2015 e na condição operacional atual, 2016 não parece ser um ano de recuperação.

Enquanto Paranaguá e o complexo de Itajaí cederam espaço para o bem sucedido Porto Itapoá, que tem o grupo Hamburg Sud entre seus acionistas, este se encontra no limite operacional e, sua ampliação poderá vir junto com um novo concorrente, o porto Pontal do Paraná em 2017. Assim, TCP, Porto Itapoá e Porto Pontal poderão repetir a situação recente de Santos.

A vida está mais difícil no setor. As ineficiências no processo de exportação e importação ainda deixam bastante dinheiro na mesa dos terminais, porém bem menos e o cuidado para manter uma operação enxuta e eficiente é cada vez mais importante. Cabotagem e transbordo menos rentáveis, se tornaram operações desejáveis.

Se armadores buscam economias de escala com navios maiores e mais eficientes, mantendo o custo unitário o mais baixo possível, inclusive com novos acordos de cooperação, dos terminais brasileiros exigirão atenção. Um novo acordo operacional entre armadores pode significar o abandono de um terminal em detrimento de outro e, o cenário de perdas em 2016, sugere ações de racionalização no horizonte.

E, onde ficam os usuários, exportadores e importadores no meio dessa maior concorrência? Esse tema será abordado em oportunidade próxima.


Categorias: Marítimo de Longo Curso, Terminais Portuários

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