Mar revolto à frente!


Em texto recente a Drewry indicava a expectativa de US$ 6 bilhões em prejuízos para 2016 para a armação global de transporte em contêineres. Badweather2

Há um forte desequilíbrio entre oferta de espaço e demanda fraca nas principais rotas globais o que é esperado perdurar por mais três ou quatro anos.. Acordo com Alphaliner a demanda cresceu apenas 0,8% em 2015, enquanto que o aumento de capacidade disponível em navios conteineiros foi de 8,5%. No primeiro trimestre de 2016 o mercado global mostrou crescimento de 1% enquanto que houve crescimento da oferta de navios em 7%.

Entre as ações para melhorar o cenário estão: demolir navios; deixar navios parados, sem operar; não renovar contratos de afretamento, não colocar novos pedidos de construção e, torcer que o comércio global aumente seu ritmo. Essencial ainda é a reformulação das alianças globais entre armadores para melhorar a cobertura e reduzir custos.

Os preços para demolição de navios aumentaram nesse início do ano e assim, incentivam a demolição de navios menores na faixa de 4.000 teus e abaixo de 20 anos de construção. Aspecto esse que, junto com a inauguração do novo Canal do Panamá, abre caminho para o efeito cascata – transferir navios menores das rotas Leste-Oeste para rotas Norte-Sul, como por exemplo, América do Sul para Europa, Estados Unidos e Ásia.

Fretes para cargas de contratos nos tráfegos da Ásia para Europa e Ásia para Estados Unidos, bem como no mercado spot tiveram quedas significativas no início de 2016 em comparação ao mesmo período do ano anterior e é esperado que esse processo de erosão nas taxas se estenda no primeiro semestre de acordo com Drewry Benchmarking Club.

O caminho da sustentabilidade é longo e árduo. Maior consolidação é esperada.

Entre os resultados anunciados de 2015, a CMA CGM que está em processo de aquisição da APL/NOL, aumentou os volumes em 6,3% e manteve sua margem de lucro em 5,8%. A NOL publicou perdas de US$ 105 milhões no primeiro trimestre de 2016. No primeiro trimestre de 2016 anunciou perdas de US$ 100 milhões apesar de novo aumento de volumes.

A Maersk Line registrou lucro de US$ 1,3 bilhões ainda que com prejuízo no último trimestre de 2105 e reportou lucro de us$ 37 milhões, no primeiro trimestre de 2016, queda de 94,9% em relação ao ano anterior.

A Hapag Lloyd divulgou lucro líquido de EUR 114 milhões, após a integração da CSAV, revertendo um prejuízo de EUR 604 milhões em 2014.  Anunciou lucro de US$ 144,2 milhões no primeiro trimestre de 2016. Está em conversações com a UASC para a fusão das operações entre as duas companhias, o que representaria a segunda (CSAV em 2014) fusão em apenas dois anos.

A sulcoreana Hanjin obteve pequeno lucro em 2015, ainda que com prejuízo no último trimestre e, acaba de equacionar sua dívida de US$ 4,35 bilhões com seus credores. Sua conterrânea Hyunday Merchant Marine (HMM) com situação de  endividamento mais crítica também espera ser socorrida pelo Korean Development Bank (KDB) e este último se tornar acionista acordo World Maritime News.

A COSCOCS (China Cosco Shipping Corp), fusão entre China Shipping e Cosco entra em vigor em julho e gera novo folego para esses armadores chineses que farão parte da Ocean Alliance, mega aliança global entre CMA CGM, COSCOCS, Evergreen e OOCL para entrar em vigor em abril de 2017.

MOL e NYK Line apresentaram resultados negativos de US$ 99 e US$ 10 milhões no primeiro trimestre de 2016.

Armadores como MSC e Hamburg Sud não publicam seus resultados.

Acordo Drewry os resultados publicados para o primeiro trimestre de 2016, indicam uma melhora no quadro geral em relação ao último trimestre de 2015 devido à redução de custos. Porém o mar está muito revolto ainda e será difícil continuar reduzindo custos com os preços do bunker em ascensão desde janeiro por um lado e pressão por redução de fretes por outro.


Categorias: Marítimo de Longo Curso

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