Mais instabilidades ou alguma calmaria no horizonte?


Ao que se especula, a adesão da Hyundai (HMM) à aliança global 2M –  aquela entre Maersk e MSC – estava condicionada à aquisição dos ativos da convalescente Hanjin pela HMM. Isso não aconteceu e a adesão da HMM à 2M, esperada para abril de 2017, não deverá acontecer, pelo menos não no formato de parceiro operacional. 

Ainda há conversações e aparentemente intenções de encontrar outras possibilidades de cooperação entre 2M e Hyundai o que deverá tornar-se público em meados de dezembro.

Quem comprou os ativos que a Hanjin colocou à venda foi a Korea Line Corp, desconhecida no setor de contêineres do Brasil e que opera uma frota de navios para o transporte de minério de ferro, petróleo e gás. O Journal of Commerce reporta que a aliança 2M deve oferecer acordo de compra de espaço (slots) a Korea Line.

Sem um ninho, ou uma das três alianças globais para pousar a Hyundai deverá enfrentar mais dificuldades com seus credores, que consideram a adesão a uma das alianças globais como uma das condições chave para reescalonar suas dívidas e recuperar a companhia.

Vale observar que a quebra inesperada da Hanjin, deixando muitos contêineres retidos ao redor do mundo, para os quais seus donos tiveram que desembolsar dinheiro para ter acesso às mercadorias, modificou o olhar do embarcador para a importância da estabilidade financeira do armador. Assim, a aliança 2M tem o armador com melhor situação financeira, a Maersk e MSC (não publica seus resultados) que não deve ficar muito atrás. Por que esses colocariam em risco o seu mercado, aceitando um armador que claramente está em situação financeira duvidosa como a HMM?

Ajuda governamental de Taiwan e Coréia do Sul está a caminho para salvar as companhias de navegação de cada país. Na opinião do Alphaliner isso irá retardar a tão necessária reestruturação do setor de navegação global. O governo chinês já havia liberado subsídios à Cosco (e China Shipping) da ordem de US$ 1.74 bilhões entre 2009 e 2015.

As três alianças a vigorar a partir de abril próximo, devem gerar maior estabilidade na oferta de espaço nos tráfegos globais e também nos níveis de fretes. Por enquanto temos:

2M: (Maersk e MSC), talvez com algum tipo de cooperação com HMM;

Ocean Alliane: CMA CGM, Cosco, Evergreen e OOCL.

The Alliance: Hapag Lloyd, Yang Ming além da empresa resultante da joint venture japonesa entre MOL, NYK e K-Line.

Ainda que o setor possa gerar prejuízos da ordem de US$ 10 bilhões em 2016, os principais armadores estão levemente otimistas em relação a 2017 devido a uma situação de maior equilíbrio entre oferta e demanda por transporte marítimo em contêineres.

A consolidação ainda pode ter novos e importantes capítulos. A especulação ao longo da última semana é a da aquisição da Hamburg Sud pela Maersk. Essa poderia ter um impacto significativo no Brasil, tanto na navegação de longo curso com na cabotagem. Aguardemos os desdobramentos.


Categorias: Marítimo de Longo Curso

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