Cabotagem: mantida a liderança no pódio


O anúncio, no final de janeiro, da renovação de frota pela Aliança, líder com 46% do mercado de cabotagem, é sinal inequívoco de que surge um novo marco para este modal.

A Aliança substitui navios menores e mais antigos, que serão sucateados e com isto eleva a sua capacidade nominal de operação e também diminui a idade média da frota.

Desde o final de 2008, o setor de transporte conteinerizado de cabotagem vive mudanças interessantes. Naquele período de crise mundial e preços mais baixos dos navios, a Mercosul importou 2 navios novos e afretou um terceiro, também novo e construído no exterior. Desta forma, abriu o caminho da importação deste ativo.

Há ainda a construção de embarcações com capacidade de 2800teus no Brasil pela Log-In, que até 2015 contará com capacidade nominal de 22.400teus. Sem uma reação do líder de mercado, a Log-In se tornaria o armador de maior capacidade empregada na costa brasileira.

A Aliança, não encontrou capacidade de construção em estaleiro brasileiro e por isso, a exemplo do que a Mercosul fez em 2008, passou a importar, navios novos, e maiores, substituindo as embarcações mais ineficientes. O fato é espetacular, pois o mercado já contará em 2013 com embarcações de quase 4.000teus (unidade equivalente e um contêiner de 20 pés) para a cabotagem, o  que muda significativamente o custo unitário de operação e assim favorece a condição para preços mais competitivos ao usuário.

Se hoje o diferencial de preços de fretes é favorável para a cabotagem em aproximadamente 15%, pode-se apostar em um jogo de cintura maior para que a capacidade adicionada seja preenchida na medida da sua disponibilidade e, que o cliente e volume convertido para o modal seja incentivado a permanecer na cabotagem.

O mercado de cabotagem no Brasil tem demanda reprimida pois o transporte de cargas é dependente do modal rodoviário. Com o acréscimo de capacidade dos dois principais armadores, o mercado pode esperar um esforço maior na conversão de volumes de um modal para o outro. Favorece ainda, a anunciada fiscalização da lei do motorista pela Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público do Trabalho, que torna o modal rodoviário de longas distâncias mais oneroso além de aumentar os prazos de entrega.

A cabotagem de cargas conteinerizadas está virando gente grande no Brasil e o mercado pode comemorar estas conquistas. Deve avaliar as opções de maior informatização para a interação entre contratante e prestador de serviço neste modal, para que a exemplo da navegação de longo curso conquiste cada vez mais produtividade e maior número de usuários.


Categorias: Cabotagem

Tags: , ,