Acordo operacional entre Log-In e Mercosul


Anunciado na semana da Intermodal no início de abril, um acordo operacional, conhecido do meio da navegação como Vessel Sharing Agreement entre Log-In Logística e Mercosul Line foi tornado público após a aquisição de um novo navio, o Mercosul Itajaí, pela última.

Imagem: Ricardo Silva Nardes

Imagem: Ricardo Silva Nardes

Esse fato altera o panorama operacional da cabotagem para o corrente ano.

De certa forma demorou em se tornar realidade. Há uma lógica nos altos e baixos da navegação regular no setor de contêineres, em que na dificuldade os concorrentes se abraçam, como forma de melhorar sua oferta de serviço, ao mesmo tempo em que reduzem seu custo operacional. É exatamente isso que o acordo entre os dois armadores de cabotagem proporciona.

Para a Mercosul Line, a introdução de mais um navio resulta no acesso ao serviço Atlântico Sul operado pela Log-In com a inclusão dos portos de Buenos Aires, Rio Grande,  Navegantes, Fortaleza e Salvador ao seu portfólio. Há ainda, uma melhora significativa na cobertura entre Santos, Suape, Fortaleza e Salvador. As modificações completas estão à disposição no eBook gratuito neste link. 

Para a Log-In, significa reduzir custos com o afretamento de pelo menos um navio, substituído pelo Mercosul Itajaí e, uma pequena redução na sua oferta de espaço, pelo menos no serviço Atlântico Sul.

Ampliar a operação e reduzir custos num momento econômico difícil não é pouca coisa. Em 2015 o crescimento da cabotagem ficou ao redor de um por cento e para 2016 é esperado repetir o percentual. Embora baixo em relação aos dois dígitos que o setor vinha crescendo, é considerado muito positivo no cenário de crescimento negativo do PIB.

Enquanto um dos serviços, o Atlântico Sul da Log-In opera no terminal Embraport em Santos a Mercosul Line opera na BTP.

Além das alterações que o VSA entre os dois armadores produziu, viu-se ainda uma alteração nos chamados Shuttle Services da Log-In em que num ficou dedicado o navio Log-In Pantanal e noutro o Log-In Amazônia entre os portos de Santos, Rio e Vitória, com a oportunidade de atender a cabotagem e movimentações feeder.

Ainda em abril, a Aliança também anunciou alterações em dois dos seus serviços de cabotagem: o Anel Um, inclui escalas múltiplas em Santos; o Anel Dois teve cobertura ampliada incluindo os portos de Itapoá, SC e Suape, PE assim oferecendo tempos de viagem mais competitivos para o mercado; e, o Anel Três alterou rotação temporariamente, para atender à safra de cítricos na Argentina.

A cabotagem continua sendo uma oportunidade de reduzir custos com o transporte de longas distâncias e próximas dos portos. Resta saber o que levará esse embarcador nacional a sair da sua zona de conforto rodoviária para experimentar os benefícios da cabotagem de economia, menor risco de avarias e roubos além de uma contribuição mais social de redução de acidentes e mortes nas estradas.

A aposta é da prevalência do impacto positivo no bolso para o uso desse modal mais sustentável ao longo do tempo.

Visto os investimentos recentes em acesso à informação e rastreabilidade do contêiner de cabotagem, da Log-In e Aliança, que acabou de lançar um novo portal,  resta ver quando a Mercosul dará esse importante passo na mesma direção dos seus concorrentes.


Categorias: Cabotagem, Terminais Portuários

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