Abertura do Novo Canal do Panamá


Neste domingo dia 26 de junho de 2016 acontece a inauguração comercial do Novo Canal do Panamá. O Cosco Shipping Panama, comandado pelo capitão Jude Rodrigues, navio de 9.500 teus e 300 metros de comprimento por 48 metros de largura, também denominado de NeoPanamax, fará a estreia. panama-canal-expansion-goldismoney2_600_338

O Canal do Panamá aberto em 1914, e em obras de ampliação desde 2007, traz consigo uma nova realidade para os navios entre 4.000 e 5.000 teus, até então denominados navios Panamax. Suas tarifas diárias estão ao redor de US$ 5.000 quando há cinco anos estavam em US$ 25.000. Acordo o Alphaliner, há aproximadamente 80 navios desse tamanho no mercado e,  ao redor de 40 à procura de um emprego.

O que não deixa de ser uma oportunidade para a armação de cabotagem brasileira. Claro que esse mercado de apenas três operadores vai querer manter a saúde financeira da sua operação, independente se há ou não demanda reprimida: segundo o Instituto Ilos para cada teu (twenty equivalente unit) cheio, movimentado por cabotagem, existem 6,5 teus que estão no rodoviário e que poderiam migrar.  O exemplo global está claro para todos: a navegação em contêiner é extremamente sensível à condição de oferta e demanda e não tem porque ser diferente no Brasil.

Sabe-se que nos últimos anos as novas construções de navios estão concentradas nos navios muito grandes, entre 18.000 e 20.000teus, os Ultra Large Container Vessels (ULCC’s) sendo que entre 2015 e 2019, 97 desses navios entram em operação acordo com a Drewry. Com o novo Canal do Panamá recebendo navios de até 14.000teus, será observado importante efeito cascata nas rotas da Ásia para o Golfo do México e Costa Leste Americana, além obviamente da Costa Oeste da América do Sul para os Estados Unidos e Europa.

Contrário do esperado alguns meses atrás e descrito no texto “Novo Canal do Panamá: Abertura Comercial Adiada”, de que essas mudanças somente teriam efeito em 2017, o efeito cascata já começou para vários serviços e alianças pela simples razão de que esses navios maiores trazem um custo unitário menor e são mais eficientes em termos de consumo de combustível e emissão de poluentes.

No entanto, as novas alianças globais, em especial a Ocean Alliance e The Alliance terão muitos ajustes a fazer no sua rede de cobertura global, por isso mais impactos de efeito cascata deverão ser vistos nos próximos meses até sua acomodação em 2017.

A costa brasileira já recebe navios acima de 10.000 teus e 334 metros de comprimento, porém há limitações em vários dos terminais portuários para esse e o próximo tamanho que será de navios equivalentes ao limite do Novo Canal do Panamá.

O Novo Canal do Panamá trará o benefício aos portos do Norte do Brasil de empregar navios maiores e encurtar a distância para a Ásia, especialmente para grãos e minério.

Após um século o Novo Canal do Panamá traz um novo marco para a navegação mundial. Talvez, como dito por alguns especialistas, não esteja defasado por não dar passagem a navios de 18.000teus, mas sim ter acertado um tamanho de navio que gera ganhos de escala suficientes para os mercados da região geográfica que atende. Isso porque o indicador de crescimento do tráfego mundial em contêineres está mais para 2% ao ano do que o índice médio anual registrado entre 2010 e 2014 de 4,5% e, estão sendo questionados os ganhos de escala para navios acima de 18.000teus.


Categorias: Cabotagem, Marítimo de Longo Curso, Terminais Portuários

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