A vocação brasileira para uma matriz de transportes competitiva


Os gurus da administração falam da importância de reforçar as competências, ou seja, aquilo em que se é efetivamente bom,  e tornar isso uma vantagem competitiva.  Levando em consideração  a vocação do Brasil na área de transportes, tem-se a possibilidade de fazer mais e melhor com a alocação racional de recursos nos modais mais eficientes e econômicos.

O governo vem apresentando metas de planejamento de longo prazo no trânsito e transporte brasileiro, como a redução em 50% de acidentes e mortes nas estradas até 2020, e, de acordo com o Plano Nacional de Logística e Transportes do Ministério dos Transportes (PNLT),  a redistribuição da matriz de transporte para obter maior equilíbrio entre os principais modais para 2025.

Há sempre o risco de ver o copo meio vazio,  mas tomando o copo meio cheio,  é possível visualizar algumas oportunidades para o transporte de cargas no longo prazo.

Se a meta para a matriz de transportes mais equilibrada para 2025 é de 29% para o modal hidroviário, 35% para o ferroviário e 30% para o rodoviário, então há um bom caminho a percorrer. Como mostra o gráfico acima, a grande alteração ocorre pela intencionada transferência do modal rodoviário para a hidrovia e ferrovia. Ora, se o modal rodoviário se concentrar nas distâncias menores, promovendo a intermodalidade e complementando a ferrovia e o transporte aquaviário – leia-se cabotagem – então o número de viagens realizadas pelo modal rodoviário será maior. Um número maior de viagens , nas distâncias mais curtas,  vai trazer ganhos econômicos e sociais para o transporte rodoviário, com menor risco de acidentes e mortes, maior proximidade da base do motorista e de sua família e maior rentabilidade.

Oitenta por cento das famílias brasileiras vivem ao longo de 200 quilômetros da costa brasileira. A via de transporte hidroviária, que inclui a costa marítima brasileira e aproximadamente 7.500 quilômetros navegáveis, desde o porto de Rio Grande  (RS)  até Manaus  (AM),  é vocação do país para o fornecimento sul – norte – sul para distâncias acima de 1.000 quilômetros. Esta é uma “estrada” pronta.

Então, de maneira simplista, pode-se afirmar que o maior investimento em portos e seus acessos rodo e ferroviários reforçará a vocação marítima brasileira e trará maior racionalização energética e econômica à matriz de transportes.

 

 


Categorias: Cabotagem, Ferroviário, Rodoviário, Transporte Intermodal

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