A queda da Hanjin e a instabilidade na navegação global


Por um momento parecia que as melancias haviam se acomodado até que em final de agosto foi anunciado o colapso financeiro da Hanjin. Do qual não se espera outra coisa que não a falência. hanjinamerica

Ao final de setembro, haviam 44 navios retidos ou arrestados, por risco de arresto no primeiro caso e por falta de garantias de pagamento de sua operação para o segundo. Muitos contêineres a bordo dos navios têm sua entrega incerta ou exigirão que o dono da carga assuma custos adicionais para resgatar seu produto ou transferir a carga para outro armador e seguir a viagem.

É sem dúvida, um momento de muita turbulência, de muitas preocupações em especial para as cargas em navios e contêineres da Hanjin. Situação essa que já levou à redução da oferta de espaço e consequentes aumentos de fretes em alguns tráfegos globais.

O colapso da Hanjin colocou em revisão as alianças entre armadores globais. As três alianças até então eram:

2M – Maersk e MSC: formada há pouco mais de ano e, acrescentando a Hyundai (HMM);

Ocean Alliance: CMA CGM, Cosco, Evergreen e OOCL. Entra em vigor em abril de 2017.

The Alliance: Hanjin, Hapag Lloyd, K-Line, Mitsui, NYK, Yang Ming. Entra em vigor em abril de 2017.

Com a saída da Hanjin da The Alliance, essa fica em grande desvantagem perante as demais no que concerne participação de mercado. A Hanjin foi excluída da aliança CKYHE – formada por ela e Cosco, Evergreen, K-Line, Yang Ming e Hanjin – em que operava até então. É cedo para quaisquer conclusões, no entanto, o mercado já especula a possibilidade da formação de apenas duas grandes alianças alegando que traria um efeito de maior estabilidade no mercado. Melhor aguardar um pouco…

Para somar aos eventos acima, o grupo APMoller-Maersk anunciou uma mudança estratégica, a ser implementada a partir de dezembro de 2016, com a separação dos negócios de energia dos negócios de transporte e logística que incluem a Maersk Line a APM Terminals e a Damco, braço logístico. O objetivo é encontrar sinergias entre as três atividades de transporte e logística para que agreguem valor ao serviço para o cliente e obviamente rentabilizem melhor esses negócios.

A nova divisão de transporte e logística reporta que tenderá a crescer por aquisições, deixando os ativos da HMM e Hanjin na mira. Ao longo dos anos o grupo APMoller-Maersk provou estar na vanguarda da sua indústria e hoje a parte do transporte em contêiner, a Maersk Line é a operação mais rentável do setor, embora em 2016 também esteja perdendo dinheiro. O olhar pode continuar direcionado e atento para entender o que sairá dessa mudança estratégica e quais seus impactos no setor como um todo.

Enquanto a economia mundial não retoma o crescimento anterior à crise de 2008, o setor do transporte em contêineres continua fazendo seus ajustes de oferta para chegar mais próximo de um nivelamento com a demanda. De acordo com Alphaliner, há 344 navios parados, sem uso, que somam 1,2 milhões de teus. Esse índice poderá subir para 1,5 milhões de teus até o final de 2016.

As águas ainda estão muito turbulentas na navegação mundial. O seu impacto não é tão grande no Brasil e costa leste da América do Sul devido à relativa pequena atuação da Hanjin. Já houve ajustes de oferta de espaço e o aumento do volume de exportações resultou em aumentos de fretes. No entanto, a região não está alheia às suas influências globais.

Crédito imagem: marinetraffic.com


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