A convergência entre navios grandes, terminais portuários e cabotagem


Para quem ainda se lembra das antigas Conferências de Fretes, em que armadores se reuniam em cartel autorizado para definir padrões mínimos de valores de fretes em determinada rota, lembrarão que o acordado à luz das reuniões oficiais ia por água abaixo através de ações independentes (‘independent actions”), em que um armador, para assegurar contratação com um cliente ou segmento de mercado específico cotava valor mais baixo, resultando no acompanhamento (chamado “me too” – eu também) de tal ação independente pelos demais armadores. SanC lemente.Hsud

Aquelas eram atitudes de curto prazo e que representavam um sinal da extinção das tais Conferências de Fretes. Pode-se dizer ainda, que a extinção das Conferências de Fretes deu-se em grande medida pelo aumento da concorrência nos principais tráfegos marítimos internacionais.

É uma pena que não tenhamos estatísticas de referência e esse é um setor onde a Antaq certamente poderia atuar, já que em tese o governo tem acesso aos dados de fretes de todos os armadores ao longo dos anos.

A aposta seria de que houve sim redução do frete médio de exportação e importação ao longo dos anos, especialmente devido à maior concorrência e do aumento do tamanho  dos navios.

Como não há dados públicos sobre a evolução dos fretes, esta é apenas uma especulação. Se o aumento do tamanho dos navios veio junto com a redução do custo unitário para o transporte de cada contêiner, maior produtividade nos terminais portuários, navios mais eficientes, com menor consumo de combustível e menores emissões de poluentes, pode-se assumir que ganhos foram gerados, provavelmente partilhados em alguma medida com o importador e exportador brasileiro e, consequentemente com a sociedade como um todo.

Não se quer mais Conferências de Fretes, mas a concorrência saudável entre armadores e também entre terminais portuários.  E terminais portuários – e portos – preparados para receber os navios maiores, que por sua vez, demandarão mais capacidade de transbordo por navios “feeder”, navios menores para distribuir cargas de e para os portos onde os navios maiores não entrarão.

Navios maiores, assim como terminais portuários e a navegação de cabotagem, buscam mais caixas – contêineres cheios  – para movimentar.  Navios maiores, portanto também tem um efeito de impulsionar o crescimento da cabotagem e esta última é vital para um transporte doméstico mais competitivo atualmente ancorado no modal rodoviário.


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