A competitividade nos terminais portuários brasileiros de contêineres


De acordo com o Relatório de Competitividade Global de 2013-2014 do Fórum Econômico Mundial, os portos brasileiros estão na posição 131 de 148 economias analisadas. Esse desempenho sofrível contribuiu para a classificação em 56º lugar no ranking de competitividade do Brasil.

Pode-se ainda afirmar que o novo marco regulatório dos portos – Lei 12.815/2013 – não produziu reduções de custos para os usuários até o momento.

O Brasil tem enraizado um modo muito burocrático de operar. E a avalição que aqui se faz, é tão somente o transporte de produtos em contêineres. A burocracia, talvez a maior vilã, beneficia muitos. E isso faz com que ainda que se tenha mais concorrência, os benefícios da redução de custos, levarão tempo para ser percebidos. Mas há benefícios visíveis.

Não é objetivo defender um setor ou condenar outro, até porque há complexidades e ineficiências de toda sorte.

TCP - foto Rodrigo Leal/Appa

TCP – foto Rodrigo Leal/Appa

Alguns impactos positivos da maior concorrência entre terminais portuários de contêineres, são a maior agilidade – na recepção e despacho do caminhão, na operação do navio -, redução de custos da tarifa de operação, o “box rate” pago pelo armador a redução de tarifas de armazenagem portuária.

O expressivo investimento nos terminais novos e existentes, nas regiões sul e sudeste, proporciona receber navios maiores. Navios maiores, por sua vez, possibilitam um custo menor para o transporte de produtos importados ou exportados. O frete para o contratante desse transporte, no entanto, será tão competitivo quanto for a concorrência nos tráfegos mundiais. Esse vínculo entre oferta e demanda sempre foi totalmente sensível ou elástico. E, continuará sendo assim.

Por outro lado, há um leque de questões, que inibem a competitividade, que são desagradáveis de abordar. Muitas vezes não tem um dono específico e por isso mesmo, não são foco de melhoria.

Alguns exemplos são: a dragagem contratada e não feita; a demora na liberação das importações – pode-se ter um leque de motivos nesse item, seja dependência de alguma autoridade, não urgência do importador, a burocracia como um todo, para citar alguns -; a geração de custos de sobre-estadia ou demurrage de importação e a geração de valores elevados de armazenagem portuária, ambos decorrentes da demora na liberação; as filas de acesso aos terminais gerando diárias de caminhão e mais armazenagem portuária; os custos comparativamente elevados para a operação de cabotagem.

Não faltam itens de oportunidades de melhorias. Precisa-se escolher uma e ir até o fim com o envolvimento dos interessados, de forma associativa. Há a opção de escolher atuar ou seguir pagando a conta porque “outros não fizeram a sua parte”.


Categorias: Terminais Portuários

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