A área de influência do porto


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Os investimentos observados em terminais de contêineres ao longo de costa e em especial nas regiões sul e sudeste, tema do artigo novos tempos na concorrência entre terminais de contêineres é motivo para que exportadores, importadores e agentes de cargas, reavaliem as suas opções de porto de embarque e descarga no Brasil, seja por custo, agilidade, conveniência ou todas essas razões somadas.

Um exemplo interessante e recente no cenário nacional, talvez não conhecido por muitos no sul e sudeste, foi a entrada em operação do porto de Pecém, ao final de 2001, para o embarque de frutas oriundas do Vale do São Francisco, das regiões de Petrolina, PE e Juazeiro, BA.

Enquanto Pecém fica a aproximadamente 900 quilômetros, Suape a 750 e Salvador a 540, o primeiro saiu na dianteira e se manteve na liderança na exportação de frutas do nordeste, atualmente com maior participação de embarques de melão saindo da região do Rio Grande do Norte. Os embarques de uva retomaram seu porto mais próximo, Salvador e os de manga ficaram mais distribuídos em 2015, com a liderança do porto de Natal também devido à produção na região da Paraíba.

Para quem conhece a história, pode-se dizer que conveniência, agilidade, dia da escala e proximidade do destino principal – Roterdã, Holanda – foram fatores determinantes para dar preferência ao porto mais distante. E, à medida que o conjunto desses fatores, foi ficando mais equilibrado, a redistribuição dos embarques seguiu seu rumo natural, ou seja, a melhor combinação dos requisitos desejados pelo embarcador com a frequência de escalas manteve Pecém na liderança.

A exportação de frutas exige o contêiner pronto e com o gerador de energia a óleo acoplado a ele para iniciar a viagem até a fazenda. Exige ainda a flexibilidade de horário de saída do contêiner vazio e recebimento da carga para embarque; a estrutura ágil de liberação, pois o produto tem vida útil (shelf-life) curta; a saída do navio no melhor dia da semana e menor tempo de viagem até o porto de destino.

Quando mais terminais próximos iniciam operação, como em Santos e região sul, num primeiro momento há compartilhamento de recursos. Receita Federal, Mapa para citar exemplos de órgãos intervenientes que precisam atender em mais locais. Ao longo do tempo uma acomodação acontece e equipes próprias em cada órgão são formadas para atender cada um dos terminais.

Falando em conveniência e custo, quais são as coisas importantes para um exportador ou importador?

Talvez para o importador, os principais sejam a agilidade de liberação, conhecimento e atendimento do despachante aduaneiro, custo e facilidade para o transporte porto – destino final do produto, custo de armazenagem, frequência de escalas do seu armador, etc.

Para o exportador, provavelmente o mais relevante seja o custo e tempo para chegar ao porto de embarque, incluindo a conveniência de retirada do contêiner vazio, a agilidade de recebimento e liberação no porto e frequência de escalas do armador de escolha.

Que o importador e exportador faça a sua lista de requisitos e simule a melhor opção para sua empresa. Muitas vezes a disponibilidade de uma conexão ferroviária ou hidroviária pode ser um grande diferencial. A possibilidade de negociar o valor da armazenagem, da energia para o contêiner frigorífico, etc. podem melhorar o custo logístico.

Com um novo leque de terminais portuários à disposição, será necessária a vontade de sair da zona de conforto e testar novas alternativas. O importador, exportador e agente de cargas, na sua função de intermediador, podem se certificar que os terminais também estão saindo da sua zona de conforto para agregar valor e reter o cliente. Seja ele armador, agente de cargas, importador e exportador.

Na dúvida se o que vem primeiro é o armador ou a carga é prudente que o terminal fique com ambos. O importador, exportador e agente de cargas podem trabalhar suas alternativas com essa premissa.


Categorias: Cabotagem, Marítimo de Longo Curso, Terminais Portuários

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  • Geraldo Abreu Filho

    A armazenagem de containers na IMPORTAÇÃO,a maneira como está sendo cobrada na maioria dos Terminais,breve sofrerá uma seria mudança.
    Aguardem !